segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

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eu acordo e durmo todas as noites e dias sem olhar espelhamente e me re-conhecer. conhecer. por que reconheceria se acaso já conhecesse, o que não é o caso. eu olho de novo e de novo a janela como se alguem vindo não sei de onde finalmente estivesse cá embaixo a me esperar na chuva. e nada. ninguém vem, nem mesmo a chuva. eu atravesso a casa a contar os passos com se ao fim deles a casa e a vida acabassem e ninguém fosse aparecer a puxar meu braço e dizer "volta, fica". o vazio persiste. e as pessoas ao redor também vazias persistem. eu aliso alguns fios de cabelo. aconchego-me no sofá. por que eu sempre sento só (?). as meias jogadas por cima da cadeira. uma toalha estendida na janela. as portas abertas. sem som. sem nada. nem eu. nem eu. nem você...

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