Parnaíba, 18 de março de 2007
Querido Isaac,
Essa coisa de tecnologia também me assusta as vezes, os velhos tempos deveriam ser mais valorizados.É claro que nunca deixaremos de lado nossas boas e velhas cartas, afinal, há coisa mais bonita do que sentir a emoção de alguém através da letra cravada, marcada, quase desenhada numa frágil folha de papel?!Não.Eu também não quero me abster de escrever e ler cartas suas, porém esse nosso meio alternativo de comunicação atual traz a imensa vantagem da rapidez...Contudo nada mais excitante do que a espera de uma carta. São prós e contras que não valem a pena serem discutidos aqui, faremos isso pessoalmente assim que tivermos oportunidade ok?! Bom...Eu fui e extremos sim, eu pude amar e odiar em questão de segundos que mais pareciam eternos; eu aprendi a controlar certos anseios que quase me matavam de ansiedade; das vidas eu fui expulsa de umas e convidada de honra de outras...reencontrei a sua,o que é melhor. Eu descobri outro mundo, o mundo real. Eu aprendi sonhar sem tirar os pés do chão...eu aprendi que pra sentir dor não precisa sofrer, doi calado, quieto. Eu amadureci uns 50 anos mentalmente, aumentei minha paciência que já era grande e fiz bom uso dela. Descobri o valor das coisas que pareciam mais fúteis e inúteis como um zumbido de mosquito. Senti saudade, muita saudade. Escrevi um livro que foi parar na gaveta, no fundo da gaveta, um dia eu te mostro. Quero escrever outro, mas esse eu vou publicar, ainda nem pensei na historia, alias, eu até pensei, mas o problema é que eu me empolgo demais pensando e mudo de final a cada segundo. O que da no mesmo de não ter pensado nada!
Nesse meio tempo também eu me apaixonei perdidamente e continuo perdidamente apaixonada por mim...essa é boa! Eu fui embora, morar longe da família é sempre bom para se reconhecer e falta que eles fazem e valor que tem. Eu passei cada aperreio! Mas me sai bem de quase todos... Eu confiei e me decepcionei, eu apostei e perdi, e esperei e não veio ninguém... por outro lado confiaram em mim e eu não decepcionei, apostaram em mim e eu não perdi, me esperaram e eu fui.
Eu quis me vingar, mas descobri que não tem nada mais ridículo e escroto do que vingança. Desisti de querer parecer forte, desisti fingir súbitos lírios e felicidades que nunca existiram, só por feitche...
Aprendi ser mais EU, muito mais do que eu já era...
É meu amigo, vivendo e aprendendo!
Te adoro!
Ana Beatriz Vasconcelos.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
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